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Nenhum comentário 05/10/2013 às 12h28 - Atualizado em 05/10/2013 às 12h29

Uso do terreno da boate Kiss segue indefinido em Santa Maria

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Grupo Mães de Janeiro organizará cartazes, fotos e flores em frente ao prédio, na tarde desta sexta-feira

Lizie Antonello
Fernando Ramos / Agencia RBS
Foto:  Fernando Ramos  /  Agencia RBS

 

Segundo a Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia em Santa Maria (AVTSM), o projeto de fazer um memorial no local não avançou. O presidente da entidade, Adherbal Ferreira, disse que os pais aguardam a liberação oficial do prédio para se manifestarem a respeito.

Inicialmente, a ideia era que a prefeitura desapropriasse o imóvel para que fosse erguido um memorial em homenagem às vítimas. Conforme a prefeitura, enquanto o prédio não for liberado formalmente, não é possível dar andamento à desapropriação. Ainda assim, terá de ser avaliada a possibilidade de uso do local, segundo as questões de saúde.

Na tarde desta sexta-feira, o grupo Mães de Janeiro vai até o prédio da boate para organizar cartazes, fotos e flores dispostas em frente ao tapume que isola a estrutura.

Limpeza e demolição
Uma limpeza criteriosa e a demolição. Essa é a solução ideal, apontada pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest), para o prédio da boate Kiss, que está cheio de substâncias tóxicas que podem oferecer diversos riscos.

Oito meses depois do incêndio, que resultou na morte de 242 pessoas, a construção da Rua dos Andradas está do mesmo jeito do dia seguinte à tragédia. Há entulhos, destroços e fuligem por todos os lados.

Considerando a possibilidade de contaminação do solo, da água e da população (por meio do ar), o juiz Ulysses Fonseca Louzada, que conduz o processo criminal da Kiss, pediu, por duas vezes, providências ao Ministério Público Estadual (MP), prefeitura e Fundação de Proteção Ambiental (Fepam). Um inquérito civil aberto pelo MP apura a existência de 17 produtos químicos tóxicos no interior do imóvel.

A solicitação do juiz ocorreu depois que ele recebeu laudos do Cerest. As análises laboratoriais atestam a existência de centenas de tipos de toxinas no pó coletado na boate. Todas, em maior ou menor grau, oferecem risco à saúde pública. Além disso, da forma que está, o prédio abandonado é propício à proliferação de insetos.

Dois encontros, em setembro, reuniram MP, Cerest, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), Econn Empreendimentos de Turismo e Hotelaria (empresa dona do prédio) e Fepam para tratar do assunto. Conforme a promotora Rosangela Corrêa da Rosa, a orientação é que seja feita a retirada dos resíduos. A Econn se prontificou a contratar uma empresa para fazer um projeto de limpeza e descontaminação e a execução do serviço. O documento deverá ter assinatura de responsável técnico e ser aprovado pela Fepam. A promotora pediu, ainda, que a fundação indique empresas especializadas na área:

– Pedi que viesse uma equipe da Fepam (de Porto Alegre) especializada em situações emergenciais de áreas potencialmente contaminadas para orientar sobre a melhor forma de retirada. Como serão retirados os resíduos e qual a destinação, a empresa contratada vai dizer.

Material tóxico poderá ser descartado em São Paulo
Segundo a promotora, o local mais próximo de descarte dos materiais seria São Paulo. À Fepam caberá, diz a promotora, verificar se houve contaminação do solo e da água. Porém, a coordenação regional do órgão diz que a responsabilidade é do município, que concedeu a licença à boate.

– A Fepam é o órgão especializado no Estado para isso, não tem relação com quem licenciou ou não – rebateu a promotora.

Fonte: Diário de Santa Maria

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